sábado, 30 de abril de 2011

O príncipe e a princesa

Ontem, o tão esperado casamento real aconteceu, a plebéia virou princesa.                                                                         
Os títulos de príncipe e princesa me trouxeram a lembrança um texto do Padre Fábio de Melo que fala sobre isso, sobre a espera do príncipe e da princesa. Que moça não quer um príncipe Willian, que em seu título traz a personificação do homem perfeito, e que moço não quer uma linda princesa, de traços leves e delicados como se não fosse cometer nenhum deslize. O mundo ainda é assim, vivemos em tempos modernos, evoluimos, mas ainda sonhamos com carruagens encantadas. Segue abaixo o texto, é meio longo, mas vale a pena ler quem ainda não conhece.

foto da marcha dos sem namorado no Rio de Janeiro
Na vida real, os amores não são como nos contos de fada. A pessoa escolhida para ser amada é bem concreta, com defeitos e qualidades. Aos quinze anos, espera-se que o príncipe encantado venha montado num cavalo branco. Aos vinte, a exigência torna-se menor: o cavalo pode ser pardo. Aos vinte e cinco, admite-se a possibilidade de que o cavalo nem é mais necessário, pode vir num jegue mesmo! É mais ou menos assim que as expectativas vão se acomodando dentro do coração da gente à medida que o tempo passa. Quanto maior o horizonte de possibilidades, maiores são as exigências que fazemos. Isso nos faz lembrar as palavras do filósofo francês Sartre: “A angústia nasce das possibilidades”. Ter mais de uma opção faz que o coração se divida para exercer a escolha. É mais ou menos isso que o seu coração tão jovem experimenta quando ele tem que escolher alguém a quem você dedicará os seus afetos. E você não pode negar que, de alguma forma, você participa deste grande leilão de amores, onde prevalece a lei da oferta e da procura: às vezes, você se oferta; às vezes, você procura; outras, entra em liquidação. E assim vai. É muito comum nos dias de hoje encontrar meninas e meninos que, aos 17 anos, já se sentem na liquidação. Passaram por inúmeros “proprietários” e, depois, foram devolvidos. Provaram a triste e dolorosa experiência de sentirem-se descartados como se fossem objetos de consumo que, depois de usados, são jogados fora. O mito do amor romântico Assim segue a vida, fortemente marcada pelos signos do amor romântico, onde mocinhas acorrentadas na torre ansiosamente esperam pelos príncipes que virão em seus poderosos cavalos brancos para libertá-las da condição de acorrentadas. É interessante que, no mito do amor romântico, a força arrebatadora do amor sempre vence a altura das torres e os projetos ardilosos de maquiavélicas madrastas. O beijo final é a concretização feliz de um processo de luta e de busca que parece ser metáfora do sonho humano de, um dia, finalmente descansar nos braços de um amor eterno. É justamente por isso que essas histórias permanecem vivas no inconsciente coletivo, visto que expressam nosso desejo de ser personagens de conto de fadas. Que seja eterno Mas a vida é real e, por ser real, os cavalos não são tão brancos, os príncipes não são tão belos e as princesas têm frieiras nos dedos dos pés. No momento em que percebemos a inadequação entre o sonho e realidade, descobrimos que o amor que pensávamos que tínhamos pelo outro na verdade não passava de uma projeção de carência e idealizações. Não podemos nos esquecer de que o amor humano só é possível a partir da precariedade. Somos a mistura de qualidades e defeitos, de belezas e feiúras. O amor só é verdadeiramente consistente no dia em que descobrimos o que o outro tem de melhor e de pior. O problema é que, na projeção de nossas necessidades, cegamo-nos para o real, para o verdadeiramente possível. Com isso, passamos a esperar o que não existe, o que não se dará justamente por estar fora do horizonte de nossas possibilidades. Portanto, o seu príncipe tão esperado pode até existir. E a sua princesa toa desejada pode estar escondida em algum lugar, mas por favor, seja realista! É preciso baixar as expectativas. O amor de sua vida virá, mas não creio que seja tudo isso que você espera. Cavalos brancos são muito raros nos dias de hoje. É mais fácil o seu príncipe chegar num fusquinha azul clarinho modelo 67. E a sua princesa, até creio que ela esteja esperando por você, mas não que ela esteja numa torre, envolvida numa atmosfera de encanto. É mais provável encontrá-la atrás de um balcão de padaria ou até mesmo no caixa de supermercado mais próximo. Mas não tem problema. Embora os moldes sejam diferentes dos contos de fadas, vocês também têm o direito de viverem felizes para sempre! (Pe. Fábio de Melo, scj)

casal real, o sonho realizado! Sejam Felizes

Paz e Bem!
ABBA

1 comentários:

Manu Cabral Eirado disse...

Adorei este post! Coloquei este texto do Pe.Fábio em meu blog também com uma análise pessoal e fiz menção ao Blog Abba. Passa lá: http://eutenhodeusedeusmetem.blogspot.com/
Continuem assim, o blog está maravilhoso, parabéns! Paz e bem!

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